quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Quando uma divindade evocou Eusébio significando Portugal


Quando uma divindade evocou Eusébio significando Portugal 


Depois de saber da notícia, relativizei-a. A "Lenda" era-me apenas transmitida por palavras, relatos e muito poucos vídeos, todos antigos e quase todos eles monocromáticos.
Pensei que não lhe dedicaria um único post, dedicatória ou lhe desejaria um descanso pacífico pois seria só mais um, em milhares. Seria insignificante e sabia que, como é óbvio, Eusébio já nunca o iria ler. O meu respeito silencioso era suficiente.
Houve referências, declarações e tributos, dos mais variados, que fui lendo/vendo ao longo de todo o dia de ontem. Todos bons, unânimes quanto à importância de Eusébio. Quem o conheceu destacava as suas qualidades humanas. Encarados por mim como clichés, pouco significado faziam dado que é costume, em situações destas, de despedida, quase toda a gente tecer o seu elogio.
A "Lenda" continuava a ser visto por mim apenas como um "bom Eusébio".
Depois, a cerimónia fúnebre. O "bom Eusébio" tinha muita gente para o ver uma última vez. Muita gente mesmo! Em Portugal nunca tinha visto disto. Era muito para um jogador da bola, apesar de todo o endeusamento a que era sujeito (estatuto que era desde sempre, a meu ver, exagerado) e de todo o fascínio português pelo futebol.
Como sei que poucas vezes as coisas são como as vemos (ou queremos ver), apercebi-me que o "bom Eusébio" seria mesmo algo mais do que eu julgava ser. Talvez fosse um "Grande Eusébio".
Depois de compilações dos momentos de magia de Eusébio vi mais um pouco do que consistia a "Lenda". Que havia mais fundamento do que eu pensava. E que fundamento! Dribles tão rápidos como atordoadores e remates tão potentes quanto certeiros. Um verdadeiro jogador, daqueles que quem gosta de futebol os tem como exemplo do jogador perfeito. Era um "Grande Eusébio" que realmente jogava muito muito bem o futebol.
Apesar de tudo, continuava a não perceber o seu endeusamento. Continuava a afigurar-se exagerado para mim. Era só uma jogador da bola que tinha sido magnífico no seu tempo e feito um fantástico Mundial em 1966. Sabia que poderia o "Grande Eusébio" ser considerado "um grande embaixador de Portugal" mas é complexo conseguir ter uma noção da proporção dessa influência.

Já de noite, lembrei-me de algo que me tinha significado bastante (e que metia Eusébio ao barulho).

Um dia lembrei-me de mandar uma pequena mensagem a uma das pessoas vivas que mais admiro. Limitado por 140 caracteres, como obriga o Twitter, enviei a Eric Idle, um dos Pythons, uma pequena mensagem a demonstrar o quanto o admirava (que é bastante!) - o nível de admiração que tenho pelos Monty Python, tanto a nível coletivo como a nível individual (realçando Cleese e Idle), é tremendo! Tenho-os como divindades, personagens intocáveis. O expoente da genialidade.
A essa pequena mensagem, contrariamente ao esperado, houve uma resposta. Apesar de curta e do tom provocatório foi provavelmente a mensagem que me deixou mais feliz até hoje. Uma mensagem sem aparente significado para quem desconheça Eric Idle, para quem não o admire tanto ou até menos um pouco que eu.
Respondeu-me evocando o nome de Eusébio pelo facto de ter mencionado, com orgulho, ser de Portugal.
Apesar de toda a minha alegria e exaltação, houve um sentimento estranho. Foi logo evocar o nome de uma figura que ficou conhecido tendo sido jogador de um clube rival! Uma provocação bem ao estilo de Eric Idle mesmo que o próprio não o soubesse.

Nunca cheguei a perceber a importância do Eusébio para que Idle tivesse o atrevimento de o mencionar nessa tão importante mensagem, de estilo telegráfico.
Nunca o cheguei a perceber, até ontem.

Ontem percebi o porquê de Eusébio não ser apenas um embaixador de Portugal mas sim O embaixador de Portugal. Do Nosso País.

Obrigado Eusébio. Não sei se o Idle me teria respondido sem invocar o seu nome.

Muito Obrigado "Rei".
Diogo Silva

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